Os quatro candidatos a prefeito de São José da Tapera estão em uma disputa acirrada pela prefeitura do município. Diante das vertentes, surge um novo olhar político com o lançamento do nome do ex-secretário de administração de São José da Tapera, Clóvis Cavalcante, que também está nesse duelo de “TITÃS.” Em entrevista, ele declara que não é laranja do atual prefeito Jarbas Ricardo, que está na disputa para ganhar e que no município ainda existem  casas de taipas mesmos com os recursos destinados desde a época da ex-prefeita Edneusa Ricardo, José Antônio Cavalcante,  até a gestão do atual prefeito,  Jarbas Ricardo. E  que várias pessoas vivem andando de salto alto às custas de dinheiro público do município.

O histórico político de Clóvis, candidato a prefeito pelo PTC (Partido Trabalhista Cristão) vem desde 88, quando ele foi candidato a vereador ao lado de Hermes Maia, filho do eternizado coronel, Elísio Sávio Maia. Foi ao apoiar Ênio Ricardo, (pai do atual prefeito Jarbas) que Clovis se tornou secretário de administração por três anos e ganhou simpatia dos taperenses. Já na gestão da ex-prefeita Edneusa ele afirma que o que os manteve unidos na política em seus mandatos foi o proposito ideológico que tinham juntos para São José da Tapera. Quando resolveu sair candidato a prefeito sem o apoio do grupo alegando estar cansado de esperar por uma oportunidade, Clovis é taxativo. “Tinha que experimentar se estava preparado, se era a minha vez.”

Ao voltar para o grupo, Clovis mais uma vez não foi o nome escolhido para disputar a eleição. Ele relembra que não se arrepende em ter apoiado Zé Antônio e quando Zé Antônio saiu para reeleição contra Jarbas Ricardo, ele estava ao lado de Jarbas como prefeito, pois o Zé Antônio tinha saído do grupo para enfrentá-lo. “Eu tive que apoioar Jarbas porque o povo queria Jarbas. Por onde eu passava o nome que o povo pedia era o dele,” disse Clovis ao ser questionado o porquê de ter apoiado Jarbas e não ter saído candidato nas últimas eleições.


Agora, passaram os anos e Clóvis afirma que a sua candidatura a majoritária não tem vínculo algum com o grupo do atual prefeito Jarbas Ricardo que está na disputa pela reeleição. “O motivo de eu ter apoiado Jarbas nas últimas eleições se deve ao fato de eu ter andado no município e ver que o povo o queria. Lancei-me candidato a prefeito porque existe uma porcentagem muito grande de rejeição do prefeito Jarbas Ricardo em São José da Tapera. Pelas minhas andanças eu vejo que tem muita gente sem rumo político. O povo está calado. Eu acredito que a minha vez é agora. Para ser um candidato, a pessoa não devem sair só quando o prefeito quiser, quando ele deixar. Não precisa pedir pra ele. Tem que pedir ao povo. O povo quem vota. Essa teoria de pedir a Jarbas eu nunca tive. Eu sempre apoiei o grupo porque tinha uma tendência pacifista. Mas, eu estou lutando e com os meus propósitos vou de casa em casa, vou ganhar essa eleição” afirma.

Ao ser questionado sobre o porquê de sua candidatura e as especulações de que ele não seria candidato a prefeito, Clovis dispara “Eu não tinha pretensão alguma de ser candidato agora, mas as pessoas chegavam em minha casa me pedindo para ser candidato sem o apoio de Jarbas. Elas me lembravam das amizades que eu tenho no município. Tenho boas propostas e como sempre contribuí para o município de São José da Tapera, lancei o meu nome. Se não der agora, a minha fase passou.”


O candidato a prefeito do PTC faz questão de cobrar evolução do município que, segundo ele, anda abandonado há mais de 20 anos. “Os recursos que chegarem eu quero aplicar no município. O sistema de compra e venda será voltado para os grandes e pequenos produtores e comerciantes porque eles não tem organização admistrativa para emitir notas e licitação. Quero implantar uma pequena cooperativa de pequenos produtores, ambulantes, açougueiros, para que a carne dos açougueiros faça parte da merenda escolar do município. Não quero tirar para fora não.”

Clovis revela que um de seus planos de governo é descentralizar o município, atribuir funções a determinados órgãos para que o prefeito não fique responsável por tudo.
“Eu quero educar as pessoas para gerenciarem o sistema, descentralizando algumas coisas, inclusive nos municípios com um conselho que coordene tudo. Todo tipo de problema que tenha no povoado para que os problemas de cada região sejam resolvidos sem a intervenção do gestor em pequenas coisas, para que o prefeito se preocupe com o planejamento do município. Não tenho pretensão de ser o dono do poder, o todo poderoso temido por todos mandante de tudo. Todos terão vez em meu governo. O município está desorganizado. Há 20 anos o município não tem um planejamento. Está crescendo de forma desordenada.

Devido aos recursos destinados ao seu partido serem poucos, Clovis conta com o apoio do presidente do PSOL municipal, Auderley, Geomário que atualmente é seu advogado, além dos amigos que saíram candidato a vereador do lado dos outros candidato. “Tenho vários amigos que saíram candidatos nas outras chapas que estão nas caladas me apoiando mesmo estando com eles.”

Ao ser questionado sobre as grandes carreatas realizadas em São José da Tapera, o candidato a prefeito do PTC deixa claro que não se intimida. “Não quero fazer uma propaganda enganosa. São gente rebolando as custa do dinheiro público. Tem gente luxando atrás do dinheiro público. Engraçado é que eu vivo andando pelo município e ainda existem várias casas de taipas onde vieram vários recursos para a erradicação dessas casas onde na gestão antepassada não houve, na passada não houve e nessa atual gestão não houve. Isso me parte o coração. Deveriam focar mais por esse lado do que viver se exibindo por aí. Todos nós conhecemos a economia de cada pessoa sem precisar ir a receita Federal. O que vemos são muitas pessoas andando de salto alto as custa de dinheiro público aqui em São José da Tapera. É isso que me enoja. Que me repudia. Esses foram uns dos fatores para eu entrar na política contra o grupo que eu acredito que não é assim que se gasta o dinheiro público, sem responsabilidade. Esse dinheiro abençoado deveria ser voltado para a pobreza. O ganho está sendo exposto pelas pessoas. Mamando nas tétas da prefeitura. O povo não está mais besta. Esse critério de que carreata vence uma eleição, está muito cedo. Tem muito chão pela frente. As pessoas estão caladas. Tenho esperança de mudar Tapera. E tenho fé que vou ganhar essa eleição.”


Ao ser questionado se faria uma auditoria nas contas da prefeitura de São José da Tapera caso seja eleito a prefeito e sobre as contas negadas dos ex-prefeitos do município, Clovis é cauteloso. “Eu só vou me responsabilizar das contas do município do dia primeiro de Janeiro de 2013 pra frente. O que ficou para trás não é de minha responsabilidade. Os nove vereadores são os responsáveis para analisar tudo ou qualquer irregularidade nos cofres públicos de São José da Tapera e deveriam estar acompanhando essas situações. Temos também o Tribunal de Contas que é um órgão específico para isso. Além disso, a CGU (Controladoria Geral da União) é o órgão competente para reavaliar todos os recursos que foram destinados a São José da Tapera, que foram aplicados de forma indevida ou não. Se eu chegar lá me responsabilizarei apenas a partir de 1º de Janeiro de 2013. Não terei uma gestão em transição. O meu contato será em Janeiro. Começou a verdadeira democracia no município. Com relação a conduta do prefeito Jarbas Ricardo, a responsabilidade de saber quem é o prefeito é do legislativo que tem nove vereadores com a obrigação de fiscalizar veemente as suas contas e passar para o povo. Os recursos que vieram para São José da Tapera desde a gestão da mãe dele, a ex-prefeita Edneusa Ricardo, são muitos. Se o cidadão ver a proporcionalidade do que foi feito e dos recursos que vieram, acredito que cabia muito mais coisas a ser realizada no município. Não devemos nos comparar ao demais municípios, temos que nos guiar com o que Tapera tem. E acredite, temos muito no que crescer. O cidadão tem que ter o hábito de entrar no portal da transparência e ficar a par dos recursos destinados aos municípios e cobrar mais.”

Em seu plano de governo, Clóvis garante que irá analisar as questões dos universitários que saem de São José da Tapera para estudar sem condições em Maceió.  “Farei uma pesquisa para saber o que os universitários querem e se Maceió será mais viável do que Arapiraca que está centralizada. As condições de se morar em uma capital se divergem com o trânsito e a distância. No agreste, a facilidade de poder estar em casa todas as noites pode se tornar mais confortável para todos. Eu vejo o meu filho estudando fora de uma capital. O crescimento do Agreste e Sertão poderá proporcionar a todos mais acessibilidade e são as estatísticas dos universitários que contaram para saber se será preciso montar uma base com casa na capital ou se é melhor em Arapiraca. Isso dependerá de uma conversa com os universitários” Finaliza.