O juiz eleitoral da 39º Zona, comarca de Água Branca, Kleber Borba Rocha, determinou nesta quarta-feira (3) que um dos coordenadores da campanha da coligação “Água Branca Feliz”, Graciliano Augusto Nobre Tolentino fosse conduzido à delegacia de polícia para assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) em seu desfavor pelo crime de desobediência, mas antes que a polícia o localizasse, ele fugiu.

Graciliano é responsável pelo telão utilizado nos eventos políticos do candidato a prefeito Roberto Torres (PSDB) e divulgava em seu equipamento palavras ofensivas e caluniosas contra o também candidato a prefeito José Rodrigues Gomes, o Zé de Dorinha (PMDB) que ingressou na justiça eleitoral com uma ação para impedir que não sejam mais propagadas nos movimentos de seus adversários as expressões “Zé Gabiru”, “Burro”, “Ladrão”, “Velho Safado” e “Queixo Caído”.

O juiz da comarca aceitou o pedido de Zé de Dorinha e julgou que a coligação representada interrompesse imediatamente o uso das palavras ofensivas e caluniosas. Mas, em outro comício, o controlador do telão, no uso de sua fala, voltou a usar as expressões e desta vez foi acusado de zombar de Zé de Dorinha e o próprio magistrado.

A desobediência foi parar novamente na Justiça Eleitoral onde os representantes da coligação de Roberto Torres argumentaram que a ação de Zé de Dorinha contra eles era uma tentativa de impedir a divulgação de provas de crimes que teria cometido quando gestor. Eles se defenderam alegando que não descumpriram a decisão judicial e que Graciliano teria voltado a usar as expressões apenas para explicar para o povo que não as podia proferir mais.

Mesmo com as alegações e caráter de defesa, o juiz Kleber Borba Rocha entendeu que houve descumprimento de sua decisão e determinou em definitivo que a coligação “Água Branca Feliz” se abstivesse de veicular qualquer propaganda eleitoral com o uso das expressões reivindicadas sob a pena de ser atuada pelo crime de desobediência e ainda ser multada em R$ 2 mil por evento em que houvesse descumprimento da sentença.

Porém, a decisão do magistrado foi desacatada outra vez, prova disso foi uma gravação de áudio e vídeo enviada ao fórum onde representantes da coligação de Roberto Torres, principalmente Graciliano, aparecem utilizando as expressões injuriosas e proibidas por aquele juízo. Com isso, o juiz percebeu que a coligação desvalorizou aquilo que havia alegado quando disse que tinha usado as expressões no comício apenas para avisarem da sentença ao povo.

Por tais atitudes, o juiz Kleber Borba Rocha entendeu que a coligação demonstrou descaso e desrespeito não só com Zé de Dorinha, mas também com ele e a Justiça Eleitoral, por isso, determinou a multa de R$ 2 mil reais para cada um dos representantes da coligação “Água Branca Feliz” e decidiu que Graciliano fosse conduzido até a delegacia de polícia para que fosse confeccionado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) em seu desfavor pelo crime de desobediência.

Na tentativa de cumprir a decisão judicial, policiais civis em conjunto com militares de Delmiro Gouveia foram até a cidade de Água Branca, mas antes mesmo que chegassem lá, amigos de Graciliano o teriam avisado e ele fugiu.

Ciente de sua fuga, o juiz espera que até o final desta quinta-feira (4) Graciliano apareça espontaneamente ao fórum ou na delegacia para que seja cumprida a decisão judicial, caso contrário irá decretar sua prisão preventiva.