Pelo menos nos últimos 20 anos a maioria dos candidatos que resolveram pleitear uma vaga no legislativo e no executivo canapiense adotaram a corrupção como arma poderosa para se chegar ao poder e este ano infelizmente não foi diferente, a famigerada compra de votos correu solta e como um vírus altamente contagioso mais uma vez contaminou a maioria dos eleitores que acabaram ignorando as propostas, a conduta e o caráter dos candidatos por dinheiro e promessas descabidas de emprego.
Tal artifício utilizado para ganhar as eleições sempre se intensifica na véspera e principalmente no dia da eleição, prova disso pôde ser constatada em conversa com donos de algumas barraquinhas que vendiam lanche em frente aos locais de votação, os quais tiveram que se desdobrar para trocar tanta nota de 50 que vinha das mãos de eleitores das mais diversas classes sociais, desde o mais rico ao mais humilde cidadão canapiense, não que todo este dinheiro não tenha sido fruto do suor do rosto dos humildes, mas cá entre nós é muita coincidência não! Várias pessoas efetuando o pagamento de um lanche de 1 real com notas de 50 no dia da eleição é no mínimo curioso.
Mas enfim! Nada do que contei até agora é novidade, até porque tenho repetido constantemente esse tema em outros artigos, mas neste artigo minha indignação é outra, me refiro a triste apelação religiosa que se espalhou pelo município durante a campanha eleitoral deste ano.
Sei que a palavra de Deus deve ser levada principalmente a lugares conflituosos em que a fé esteja por algum motivo em segundo plano, agora usa-la em beneficio próprio se colocando como “santo” e atacando com calunias e difamações seus concorrentes, ai é demais!
Assistindo alguns comícios o que pude notar foi uma apelação religiosa jamais vista no município, pessoas que liam passagens da bíblia, falavam de amor pelo próximo e logo depois ainda durante o mesmo pronunciamento se utilizavam do microfone para proferir calunias e difamações contra aqueles que não acompanhavam seu candidato a prefeito.
E o que mais me indignou nestes discursos individualistas que ignoravam a corrupção para defender lado partidário foi à atitude de um rapaz que se dizia religioso, mas que teve a insensatez de ofender de maneira cruel e mais nojenta possível um dos candidatos a prefeito e sua equipe que ao fazer campanha no povoado Capiá entregando suas propostas de governo foi perguntado “se aquele papel era pra limpar o c.....”. É revoltante ou não é?
Diante de Deus quem sou eu para julgar a atitude deste rapaz, mas o que me conforta é saber que Deus é nossa maior testemunha perante as injustiças deste mundo.
Em Isaias 5:23, diz a palavra de Deus:
“Ai daqueles que justificam o ímpio por suborno e aos justos negam justiça”
Em momento algum tais oradores religiosos atentaram para estas palavras, sabe por que amigo internauta? Porque de certa forma a maioria das pessoas que ali estavam só apoiavam o candidato a prefeito, por que recebiam algo em troca para permanecer fiel e em contraponto atacar quem se levantava contra o grupo, que entre seus componentes tinha pessoas acusadas de desviar recursos públicos, pessoas que mantém uma vida luxuosa em troca do sofrimento do povo.
Na minha modesta opinião o palanque político é verdadeiramente o maior antro de corrupção da terra e sendo assim a palavra de Deus somente deveria ser mencionada se fosse para corrigir primeiro aqueles que estão do lado, para depois abrir os olhos dos demais, mesmo assim calunias e ofensas devem ser deixadas para trás, pois não são citadas na bíblia como algo bom.
“Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas”.
(Salmos 82:2-5ª)




