O descuido dos pacientes somado ao ineficaz programa de tratamento de diabéticos disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) colocam Alagoas como o estado que mais amputa diabéticos. O médico Guilherme Pitta, diretor de Atendimento ao Associado da Associação dos Médicos do Brasil (AMB), e professor da Universidade de Ciências Médicas de Alagoas (Uncisal), explicou, em entrevista exclusiva ao AL 1, como os alagoanos chegaram ao topo dessa triste estatística, e o que pode ser feito para mudar essa realidade. O portal também conversou com outra autoridade no assunto, o cirurgião vascular Jackson Caiafa, responsável pelo programa “Pé Diabético”, no Rio de Janeiro.
Segundo o levantamento da AMB, em 2012 foram feitas 40 mil cirurgias de amputação em todo o país. Alagoas fica no topo do ranking com mais de mil amputações por ano. Pitta alerta que o número é bem superior, considerando que as estatísticas se limitam aos procedimentos feitos na rede pública. Em Alagoas, cerca de 90% da população depende do SUS. Os médicos classificam de “genocídio” o que está acontecendo com os diabéticos alagoanos.
O pé diabético é umas das complicações crônicas do diabetes que ocorre mais frequentemente em pacientes que não fazem um controle adequado dos níveis de glicemia (açúcar) no sangue causando úlceras; infecções; isquemia ou trombose, que por sua vez podem levar à amputação.
“É um verdadeiro genocídio. É assustador, e o número é bem superior se incluímos a rede privada. O próprio Ministério da Saúde não tinha conhecimento, até recentemente, dos números reais, e trabalhavam com 10 mil amputações nos últimos 10 anos. Após uma visita do ministro a alguns hospitais, essa estatística foi atualizada, e em um dia o número subiu para 17 mil ao ano”, afirmou o diretor da AMB.
Mas o que leva Alagoas e o Brasil a essa estatística tão dramática? “Muitos pacientes demoram a procurar atendimento ou não seguem as instruções preventivas como devem. Mas o mais grave é que o acesso da população à atenção básica, e também a capacitação das equipes que atuam no sistema de saúde, que não tem preparo, como deveria, para atender a esse tipo de paciente com o problema do chamado pé diabético”, afirma o médico. “Fortalecendo a Atenção Básica, com capacitação para médicos e enfermeiros da Estratégia de Saúde da Família (ESF, antigo PSF), é possível reduzir pelo menos em 50% o número de amputações”.
A AMB chegou a apresentar esses dados ao Ministério da Saúde, para que fosse elaborado um programa ou algo do tipo para começar a se tomar providências. Mas nunca obtivemos resposta.
Onde está essa legião de amputados?
Dona Marluce Conceição da Silva, 69, aposentada é diabética desde os 45 anos. 17 anos após ser diagnosticada com a doença surgiram os primeiros sintomas de problemas na circulação das pernas, culminando com amputação dos dedos do pé, a dois meses atrás. Aos 88 anos, Dona Andaluzia de Holanda Gomes, já teve uma das pernas amputadas, e a outra já apresenta sinais de necrose.
As duas portadoras de diabetes entrevistadas pelo AL 1 se enquadram exatamente no perfil dos pacientes que engrossam as estatísticas dos diabéticos amputados em Alagoas. “A maior parte dos pacientes que chegam à amputação tem mais de 40 anos, mas há casos de pessoas bem mais jovens. Como a maior parte dos pacientes são portadores da diabetes tipo 2, aritmeticamente a maior parte dos amputados também são desse grupo”, afirmou o médico.
Para quem pergunta onde está essa verdadeira legião de amputados, Jackson Caiafa tem a resposta: “Pode-se perguntar onde estão todos esses amputados. Eles não estão nas ruas porque sua grande maioria são idosos, e 20% desses mutilados acabam morrendo no primeiro ano após a amputação, e três anos depois o procedimento o número de óbitos chega à metade”, explica Caiafa.
Projeto piloto tenta reverter números
Em São Paulo, projeto de lei que prevê ações capazes de reduzir o número de amputações conseguiu reduzir em quase a metade esse tipo de procedimento traumático e, às vezes, fatal. Aqui em Alagoas, um projeto piloto está em andamento, mas sem a colaboração efetiva do poder público, até o momento. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Associação Médica Brasileira e o Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal).
Em Alagoas, o projeto treina profissionais de saúde que trabalham na atenção básica, para classificarem o pé diabético e encaminhar os pacientes para tratamento. “Já estivemos aqui em Maceió, em Arapiraca, Penedo, Santana do Ipanema, Coruripe, Quebrangulo e Viçosa. É um começo, mas que pode ser muito frutífero se tivermos adesões, para que essa ideia cresça e possamos acabar com esse verdadeiro genocídio. É inadmissível termos hoje essa legião de amputados”, disse o médico Jackson Caiafa. No momento estão em gestação apoio das secretarias de Saúde do Estado e do município de Maceió.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Diante da estatística alarmante, a preocupação finalmente chegou aos ouvidos do poder público, nesse caso na Câmara Municipal de Maceió, que em fevereiro realizou uma audiência pública para discutir o assunto.
O debate no Poder Legislativo contou com as presenças de Jackson Caiafa, Guilherme Pitta, e o diretor do programa de tratamento ao pé diabético em Cuba, Dr. Julio Baldomero.
O vereador Cléber Costa, que é médico e propôs a audiência pública, atribuiu o topo do ranking ao Estado devido à dificuldade de acesso à assistência médica de qualidade, e de um tratamento específico para o chamado “pé diabético”.
DICAS. O que é o pé diabético, como prevenir e como tratar?
Antes de qualquer dica é necessário entender que o acompanhamento médico é essencial para que o diabético possa levar uma vida normal. Mas a internet também traz uma série de portais onde é possível buscar informações úteis. O AL 1 traz abaixo uma lista de sites com diversas dicas de prevenção e tratamento do pé diabético, que como os demais problemas de saúde pode ser evitado. Confira:
O descuido dos pacientes somado ao ineficaz programa de tratamento de diabéticos disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) colocam Alagoas como o estado que mais amputa diabéticos. O médico Guilherme Pitta, diretor de Atendimento ao Associado da Associação dos Médicos do Brasil (AMB), e professor da Universidade de Ciências Médicas de Alagoas (Uncisal), explicou, em entrevista exclusiva ao AL 1, como os alagoanos chegaram ao topo dessa triste estatística e o que pode ser feito para mudar essa realidade. O portal também conversou com outra autoridade no assunto, o cirurgião vascular Jackson Caiafa, responsável pelo programa “Pé Diabético”, no Rio de Janeiro.
Segundo o levantamento da AMB, em 2012 foram feitas 40 mil cirurgias de amputação em todo o país. Alagoas fica no topo do ranking com mais de mil amputações por ano. Pitta alerta que o número é bem superior, considerando que as estatísticas se limitam aos procedimentos feitos na rede pública. Em Alagoas, cerca de 90% da população depende do SUS. Os médicos classificam de “genocídio” o que está acontecendo com os diabéticos alagoanos.
O chamado pé diabético é umas das complicações crônicas do diabetes, que ocorre mais frequentemente em pacientes que não fazem um controle adequado dos níveis de glicemia (açúcar) no sangue causando úlceras; infecções; isquemia ou trombose, que por sua vez podem levar à amputação.
“É um verdadeiro genocídio. É assustador, e o número é bem superior se incluímos a rede privada. O próprio Ministério da Saúde não tinha conhecimento, até recentemente, dos números reais, e trabalhavam com 10 mil amputações nos últimos 10 anos. Após uma visita do ministro a alguns hospitais, essa estatística foi atualizada, e em um dia o número subiu para 17 mil ao ano”, afirmou o diretor da AMB.
Mas o que leva Alagoas e o Brasil a essa estatística tão dramática? “Muitos pacientes demoram a procurar atendimento, ou não seguem as instruções preventivas como devem. O mais grave é que o acesso da população à atenção básica, e também a capacitação das equipes que atuam no sistema de saúde, que não tem preparo, como deveria, para atender a esse tipo de paciente com o problema do chamado pé diabético”, afirma o médico. “Fortalecendo a Atenção Básica, com capacitação para médicos e enfermeiros do Estratégia de Saúde da Família (ESF, antigo PSF), é possível reduzir pelo menos em 50% o número de amputações”.
A AMB chegou a apresentar esses dados ao Ministério da Saúde, para que fosse elaborado um programa ou algo do tipo para começar a se tomar providências. Mas nunca obtivemos resposta.
Onde está essa legião de amputados?
Dona Marluce Conceição da Silva, 69, aposentada é diabética desde os 45 anos. 17 anos após ser diagnosticada com a doença surgiram os primeiros sintomas de problemas na circulação das pernas, culminando com amputação dos dedos do pé, a dois meses atrás. Aos 88 anos, Dona Andaluzia de Holanda Gomes, já teve uma das pernas amputadas, e a outra já apresenta sinais de necrose.
As duas portadoras de diabetes entrevistadas pelo AL 1 se enquadram exatamente no perfil dos pacientes que engrossam as estatísticas dos diabéticos amputados em Alagoas. “A maior parte dos pacientes que chegam à amputação tem mais de 40 anos, mas há casos de pessoas bem mais jovens. Como a maior parte dos pacientes são portadores da diabetes tipo 2, aritmeticamente a maior parte dos amputados também são desse grupo”, afirmou o médico.
Para quem pergunta onde está essa verdadeira legião de amputados, Jackson Caiafa tem a resposta: “Pode-se perguntar onde estão todos esses amputados. Eles não estão nas ruas porque sua grande maioria são idosos, e 20% desses mutilados acabam morrendo no primeiro ano após a amputação, e três anos depois o procedimento o número de óbitos chega à metade”, explica Caiafa.
Projeto piloto tenta reverter números
Em São Paulo, projeto de lei que prevê ações capazes de reduzir o número de amputações conseguiu reduzir em quase a metade esse tipo de procedimento traumático e, às vezes, fatal. Aqui em Alagoas, um projeto piloto está em andamento, mas sem a colaboração efetiva do poder público, até o momento. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Associação Médica Brasileira e o Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal).
Em Alagoas, o projeto treina profissionais de saúde que trabalham na atenção básica, para classificarem o pé diabético e encaminhar os pacientes para tratamento. “Já estivemos aqui em Maceió, em Arapiraca, Penedo, Santana do Ipanema, Coruripe, Quebragulo e Viçosa. É um começo, mas que pode ser muito frutífero, se tivermos adesões, para que essa ideia cresça e possamos acabar com esse verdadeiro genocídio. É inadmissível termos hoje essa legião de amputados”, disse o médico Jackson Caiafa. No momento estão em gestação apoio das secretarias de Saúde do Estado e do município de Maceió.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Diante da estatística alarmante, a preocupação finalmente chegou aos ouvidos do poder público, nesse caso na Câmara Municipal de Maceió, que em fevereiro realizou uma audiência pública para discutir o assunto.
O debate no Poder Legislativo contou com as presenças de Jackson Caiafa, Guilherme Pitta, e o diretor do programa de tratamento ao pé diabético em Cuba, Dr. Julio Baldomero.
O vereador Cléber Costa, que é médico e propôs a audiência pública, atribuiu o topo do ranking ao Estado devido à dificuldade de aceso à assistência médica de qualidade, e de um tratamento específico para o chamado “pé diabético”.
DICAS. O que é o pé diabético, como prevenir e como tratar?
Antes de qualquer dica é necessário entender que o acompanhamento médico é essencial para que o diabético possa levar uma vida normal. Mas a internet também traz uma série de portais onde é possível buscar informações úteis.




