Ao receber uma chamada para dar cobertura à Rádio Patrulha (RP), os integrantes do Patrulhamento Aéreo de Alagoas se preparam para mais uma missão. Desta forma, as ações aéreas são usadas pelo governo do Estado de Alagoas — por meio da Secretaria de Defesa Social — como mais um mecanismo de dar resposta aos índices de criminalidade.
Para esta reportagem acompanhei as Operações realizadas na Vila Brejal, Jacintinho, e na parte alta de Maceió, durante dois dias, com o chefe de Operações de agrupamento, piloto Aldair Santos.
Em menos de quatro minutos, os helicópteros Falcão 03 e 04, se deslocam do Hangar, localizado no aeroporto Zumbi dos Palmares, até o local passado via rádio. Com uma visão precisa, os suspeitos são encontrados pelos tripulantes. Após passar a localização deles,as abordagens são efetuadas pelos policias em solo.
“As Operações Aéreas estão surtindo efeitos nos quadrantes que patrulhamos, graças ao trabalho em conjunto com as viaturas dos Batalhões de Áreas e RP em solo. Conseguimos diminuir os índices de roubos e CVLI,” afirma Aldair.
De acordo com ele, são realizadas em média quinze ocorrências policiais ao mês. Entre elas, roubos diversos, sequestros e resgastes. Além disso, as aeronaves podem ser deslocadas em situações emergências como perseguição policial, troca de tiros, cerco a marginais, fuga de presídio, incursões em grotas ou favelas.
Para controlar os índices de criminalidade, as equipes de patrulhamentos contam com cinco tripulantes, dois Comandantes e co-pilotos, por aeronave. Os pontos conhecidos pelo alto número de crimes são sempre os alvos dos patrulhamentos.
“Tiveram meses que nas estatísticas houve uma redução de 35% que não estava prevista, por isso que esses dados nos deixam satisfeitos, pois sabemos do nosso papel e o quanto torcemos para que, cada vez mais,possamos contribuir no combate à criminalidade e violência,” comemora.
O piloto conta ainda que, em uma busca para capturar o criminoso, se não tiver apoio solo, em último caso, os tripulantes podem aterrissar e fazer a abordagem dos suspeitos. Quando em uma Operação, a vida da guarnição ou da sociedade mantida como refém estiver em risco, os tripulantes têm a autorização para atirar.
“Normalmente temos a guarnição da polícia nos apoiando, mas já houve casos que tivemos que fazer a abordagem. Todos os nossos tripulantes estão devidamente preparados para uma possível ação como esta. O nosso dever é sempre resguardar a nossa vida, do cidadão, por isso que temos sim permissão para atirar,”disse.
Mulheres no Comando
A palavra sexo frágil não define as tripulantes Luciana Renata da Silva Rocha e Fernanda Viena que fazem parte da equipe de tripulantes Operacionais nas Operações Aéreas de Alagoas.
As funções dos tripulantes Operacionais são para quem pertencer à aérea de segurança, mas precisa ingressar e concluir o curso de tripulantes Operacionais. Renata conta que, desde o retorno das atividades de Patrulhamento aéreo em 2011, ela está na função de Tripulante Operacional.
“Para fazer parte é preciso gostar do serviço aéreo. Acho ótimo, todos os companheiros se tornaram amigos e assim hoje tenho duas família,”.
De acordo a policial, as suas atividades são cobradas igualmente como as dos seus amigos e, mesmo sendo mulher, é respeitada por todos. “Eu nunca sofri nenhum tipo de preconceito. Apenas alguns entraves de quem não acredita ou não conhece o nosso serviço,” desabafa.
Para a tripulante, uma ocorrência de roubo seguido de sequestro de uma aposentada e sua netinha marcou a sua carreira. “Quando conseguimos êxito e eles voltaram para casa, foi uma vitória para toda a equipe. Nada paga mais do que ver uma família aliviada e feliz,“ disse a policial do BOPE,ressaltando que, a rapidez com que a equipe se desloca faz com que haja mais possibilidades de sucesso na Operação. “É uma sensação de dever cumprindo. Voltar pra casa e reencontrar minha família com essa sensação não tem preço. Só tenho que agradecer a Deus,”afirma.
Helicópteros
Uma das aeronaves foi adquirida através de um convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP, que destina esse tipo de apoio aos Estados considerados mais violentos. A outra é alugada por uma empresa privada e seu contrato é renovado anualmente. Elas que diariamente fazem patrulhamento aéreo são acionadas pelo Centro de Operações Integrados da Defesa Social (Ciods), Polícia Rodoviária Federal e pela coordenação das Operações Aéreas. Os helicópteros dão apoio às ações das polícias Militar e Civil, além da Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal.
“É importante ressaltar que tal iniciativa teve a participação direta do Secretário de Defesa Social, Dário César que não mediu esforços para as aquisições das aeronaves no combate a criminalidade,”destaca o chefe de Operações, Aldair Santos.
Para poder pilotar os helicópteros Falcão 03 e 04 é preciso passar por cursos de Piloto Privado e comercial de helicóptero com teórico e prático em escala. O copiloto precisa ter ainda mais de sem horas de vôo. Já o comandante no mínimo quinhentas horas. Além disso, as indicações para Operadores e Tripulantes são para Policiais Militares e bombeiros, Militares somente os oficiais. Já na Policia Civil, Delegados ou Agentes de Polícia.




