O ex-prefeito de Água Branca José Rodrigues Gomes, mais conhecido como Zé de Dorinha (PMDB), não conseguiu eleger toda a diretoria que queria no comando da Câmara de Vereadores do município. É que parte da base governista no Legislativo teria ficado insatisfeita com algumas articulações individuais de integrantes do grupo político e elegeram uma mesa diretora aquém da vontade do ex-chefe do Executivo Municipal, que é esposo da prefeita, Albani Sandes (PMDB), e pai da vice-prefeita, Tatiana Dorinha (PMDB).
Uma fonte fidedigna informou para a reportagem que os vereadores estavam insatisfeitos com a gestão da atual mesa diretora e se reuniram com Zé de Dorinha no dia 26 de dezembro do ano passado para sugerir a ele que o biênio 2015/2016 fosse comandado pelos quatro edis governistas que não faziam parte da atua gestão da Câmara. Depois de muita conversa, teria ficado acordado que a disputa iria acontecer com chapa única e que a mesma seria formada da seguinte maneira: presidente, Maciel Coito (PRB); vice-presidente, Manu Dorinha (PRB); primeiro-secretário, Pedro Freire (PTB); e segundo-secretário, Cargilson Bezerra (PC do B).

Com tudo certo para o acordo ser concretizado, no dia seguinte, os vereadores da mesa diretora sugerida teriam ficado sabendo que os vereadores Zé Paulo (PMDB) e Manu Dorinha estariam tentando formar outra chapa para disputar o comando do Legislativo e isso teria feito os outros quatro vereadores se reunirem novamente, mas desta vez contando com o apoio da oposição, para formarem uma chapa que pudesse ser eleita sem que houvesse concorrência.
Assim foi feito, depois de conversarem entre si, os vereadores Maciel Coito, Cargilson Bezerra, Lurdinha do Sindicato (PP), Pedro Freire, Lucas Torres (PR), Graça da Farmácia (PSB) e Adriana Zuza (PMN) chegaram a um consenso de que deveriam formar uma chapa composta da seguinte maneira: presidente, Maciel Coito; vice-presidente, Cargilson Bezerra; primeiro-secretário, Pedro Freire; e segundo-secretário, Lucas Torres.
No dia 29 de dezembro de 2014, os vereadores se dirigiram para a Câmara para participar da sessão extraordinária que tinha sido convocada pela então presidente Tânia Costa (PMDB) para que fosse realizada a eleição, mas os edis foram surpreendidos pela ausência de toda a mesa diretora, composta por Tânia, Zé Paulo, André de Noé (PTC) e Manu Dorinha.
Mesmo com a evasão dos colegas, como os presentes formavam quórum, os vereadores decidiram dar prosseguimento à sessão, mas a mesma foi interrompida pela ex-vereadora Tereza Costa, filha da então presidente, que também já teria comandado a edilidade, na legislatura passada. Ela trazia consigo um ofício emitido pela mãe, onde revogava o edital de convocação para eleição.
Os vereadores colocaram o documento recebido em votação e o mesmo foi rejeito por unanimidade. Com isso, os edis puderam continuar com a sessão e realizaram a eleição da mesa diretora que tinham formado previamente.

Para garantir o resultado da eleição e que os eleitos fossem empossados, a chapa ingressou na Justiça com um pedido de mandado de segurança preventivo. A liminar foi concedida por um juiz plantonista de Santana do Ipanema que assegurou a legitimidade da eleição e a posse da nova diretoria que aconteceu durante sessão solene, realizada na noite do dia 1 de janeiro deste ano.
De acordo com Cargilson, a eleição da nova mesa diretora contra a vontade de Zé de Dorinha não significa que a base tenha rompido com o grupo dele. “Continuamos parceiros, até porque consideramos que ele é um grande líder político de nosso município. Não houve e nem haverá rompimento, pelo menos de nossa parte.” Disse.
Em contato com o Minuto Sertão, Zé de Dorinha classificou o ocorrido como um desentendimento da própria edilidade e que mesmo assim a nova mesa diretora é composta por vereadores que o grupo político tinha acordado, como é o caso do presidente Maciel Coito e o primeiro-secretário Pedro Freire. O ex-prefeito disse ainda que o fato do comando da Casa ter a composição de um vereador da oposição não é motivo de racha.
A reportagem tentou falar com os vereadores Zé Paulo, Tânia Costa e Manu Dorinha, mas não obteve êxito.









