A paralisação das obras e falta de ações pela Administração Pública de Delmiro Gouveia vem despertando críticas da população e de diversos segmentos da sociedade. Alegando estar em crise financeira, a gestão demitiu funcionários, cortou salários e estacionou diversos projetos.Diante da inércia municipal, o presidente da Câmara de Vereadores, Valdo Sandes (PMN), concedeu entrevista a uma rádio local, onde enfatizou a falta de vontade política para a realização das ações.

Segundo o presidente, a crise financeira não é motivo para que a gestão fique inerte aos problemas da população e suspenda todas as atividades. Ele explica que pode ser feito um calendário que se adeque à nova realidade, mas sem deixar de ofertar os serviços e outros projetos que são de autoria do Executivo.

“O município precisa fazer um calendário de ações e sair dessa situação. Precisa dar transparência e retomar a sua normalidade. Seja com muito ou pouco recurso, o que não pode é parar, alegando que perdeu ICMS, ou outros motivos. É necessário um planejamento porque a população não agüenta mais viver nesta situação; sabemos das dificuldades, mas é preciso andar”, frisou.

Ele explicou que durante os cinco meses que ficou à frente da Prefeitura, também passou por uma crise, mas conseguiu realizar diversas ações.

“Durante a minha gestão à frente do Executivo sofremos uma queda no orçamento de quase três milhões de reais mensais, mas isso não impediu que realizasse os projetos, inclusive iniciando e finalizando alguns deles ainda durante este período, como a praça do povoado Sinimbu. E também, apesar da crise, não demitimos nenhum funcionário, como ainda retomamos a administração do Mercado Público, do Matadouro e da Rodoviária; concedemos o aumento salarial dos professores da rede municipal, inclusive pagando o retroativo; asfaltamos a estrada da Vila 25 até o povoado Lagoinha, um percurso de cerca 10 km; batalhamos para a assinatura da abertura da UPA, que hoje encontra-se em pleno funcionamento; a saúde começou a atender melhor com a oferta de medicamentos e exames; implantamos o Departamento Municipal de Apoio à Infância e Juventude e criamos o Conselho Municipal da Juventude; resgatamos os jogos estudantis e ainda realizamos o melhor São João de todos os tempos, além disso tudo abrimos diálogo com todos os segmentos da sociedade, como associações, Sem-Terra, mototaxistas, entre outros. Então, a crise não é problema, você tem que saber administrá-la e é isso que a atual gestão precisa fazer, e não parar tudo como vem acontecendo”.

Valdo falou ainda sobre a crise política que está sendo vivenciada. Ele ressalta que é reflexo da falta de diálogo do Executivo com o Legislativo e com Judiciário.

“Esta crise política que Delmiro enfrenta está acontecendo por falta de comunicação entre o chefe do Executivo e com os poderes Legislativo e Judiciário. A Constituição Federal de 1988 é clara quando diz que os poderes são independentes, mas devem ser harmônicos entre si”.

Indagado se a crise política estaria afetando a votação do Orçamento 2015, que ainda não foi apreciado pela Casa Legislativa, o presidente explicou que este não seria o motivo, mas a falta de explicações por parte da equipe da Prefeitura em relação a novos programas que foram inseridos.

“O fato do Projeto de Lei Orçamentário para 2015 ainda não ter sido votado é que foi protocolado na Casa um Projeto de Lei alterando a Lei de Diretrizes Orçamentárias para a inclusão de novos programas na Lei Orçamentária Anual. Ao analisar os documentos, a comissão observou que ao incluir esses novos programas, tem que haver alteração no Plano Pluri Anual (PPA), porque a LDO trabalha em cima do PPA. Então é preciso que a equipe técnica do governo vá até a Câmara e mostre como introduziram estes novos programas e não alteraram o PPA. Como até agora ninguém do Executivo se manifestou, não temos como votar. Quero dizer à população que na hora que receber da Comissão de Orçamento o Projeto de Lei dentro da legalidade, colocaremos em discussão e votação assim que retornarem os trabalhos na Casa. Ressaltamos à comunidade delmirense que a Câmara de Vereadores não quer criar problemas à administração municipal, mas o que está acontecendo com essa gestão é a falta de diálogo com o Legislativo, e isso não é culpa dos vereadores”.