Em dias de feira, circular pelo centro de São José da Tapera está ficando cada vez mais difícil. Além de conviver com calçadas inapropriadas com rampas, degraus elevados, e as poucas vagas de locais específicos para estacionar os veículos, mesmo tendo na Câmara Municipal um vereador portador de necessidades especiais, motoristas e pedestres se deparam com alguns proprietários de estabelecimentos comerciais que resolveram delimitar espaço em via pública como privado.
Se tornou comum empresários se acharem no direito de sinalizar a frente de seus comércios com cavaletes ou cones como uma forma de demarcar o espaço das ruas, como se fosse a extensão de sua propriedade.
De acordo com um comerciante que não quis se identificar, essa prática é para impedir que os motoristas estacionem seus veículos na frente de suas lojas para não tomar a visão e impedir a publicidade de seu negócio.
Mas o vereador Adriano Ricardo (DEM) disse que essa prática de reservar espaço em frente às lojas usando cavaletes, cones, banners de publicidade é uma forma de fazer do público uma propriedade particular, sim! Ele disse ainda que se formos fazer uma análise a fundo, iremos perceber que existem outros problemas também da ordem urbanista a serem observados, como por exemplo, alguns comerciantes e moradores que arrancam árvores que estão em frente ao seu comércio as quais julgam estar atrapalhando a visualização de sua fachada ou por cair muita folha na frente de sua casa.
O vereador falou ainda sobre como se sente ao ser um portador de necessidades especiais e ver calçadas não padronizadas e cavaletes impedindo não só a sua passagem, bem como de muitos outros cadeirantes no município.
“A sensação é de impotência e até pouco de raiva. Mas infelizmente isso não é um problema exclusivo de nossa cidade, o Brasil é um país que não respeita a acessibilidade. Os cavaletes são obstáculos sim, acredito que apenas com uma orientação dos órgãos responsáveis, isso será resolvido, mas julgo como obstáculo maior é falta de respeito de muitos condutores em estaciona justamente nos acessos das rampas,” afirma.
Risco de Vida
O que tem causado maior revolta entre alguns moradores é que o espaço urbano está cada vez mais sendo utilizado de forma errada como conta uma moradora do Centro da cidade, que também preferiu não se identificar. Segundo ela, andar nas calçadas e nas ruas em dias de feira virou uma questão de risco de vida.
“Quando preciso ir à feira ou ao supermercado, tenho que olhar mais de duas vezes porque quando saio da calçada tenho que desviar desses cavaletes, aí já estou na rua correndo o risco de ser atropelada. Isso é um absurdo! Só vão tomar providências quando alguém morrer atropelado ou quebrar uma perna quando cair nesses cavaletes?” questiona com revolta a moradora.
Mas não fique pensando que apesar da ousadia daqueles que insistem em utilizar o que é público para uso particular, está correto. É preciso que a sociedade se posicione no sentido de cobrar das autoridades uma lei que proíba essa prática e, com o não cumprimento, venha uma penalização com multas.
“Aqui em São José da Tapera já cabia a criação da Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito, SMTT, semáforos e até redutor de velocidades. Todos os finais de semanas são motos e carros em toda velocidade, sem respeitar os pedestres, ou seja, as crianças e uma parcela de nossa população idosa. É preciso preservar os direitos dos cidadãos,” disse a psicopedagoga e estudante de direito, Luciene Oliveira.




