Os dias de sessão ordinária na Câmara de Vereadores de Palestina têm sido marcados por troca de ofensas e ameaças entre edis e populares, desde o dia 14 do mês passado, quando a prefeita Elaine Silva Lisboa, conhecida como Lane Cabudo (PT), teve que demitir todos os servidores comissionados e contratados da prefeitura, por recomendação do Ministério Público Estadual (MPE/AL).
Os vereadores Dino César do Nascimento (PMDB) e Luciano Lucena de Farias (PRB) são acusados de estarem provocando a confusão. Eles e outros dois edis integram a bancada de oposição na Câmara de Vereadores, que é formada por 9 componentes. Um deles, o Dino César, foi o candidato a prefeito derrotado nas eleições suplementares, realizadas em 6 de abril de 2014, onde a ex-esposa dele, Lane Cabudo, se saiu vitoriosa com 74 votos de diferença.
O fato é que ele e os colegas de legislatura, talvez com a intenção de colocar a população contra a prefeita, procuraram a Promotoria de Justiça de Pão de Açúcar, para denunciar o número de contratados da prefeitura do município deles. O MPE/AL, por meio da promotora de Justiça Martha Bueno Marques Pinto, recomendou a demissão imediata de todos os contratados e a realização de concurso público.
A prefeita Lane Cabudo cumpriu a recomendação e realizou uma demissão em massa. “Resolvemos demitir todo mundo, por que pensamos que se tirássemos apenas uma parte, a outra não iria entender, mas depois voltamos atrás, porque a saúde e a educação viraram um caos. Não podíamos deixar alunos sem aula e a saúde parada, por isso decidimos readmitir 50% dos contratados que tinham sido demitidos”, disse a gestora.
As pessoas que não foram readmitidas decidiram ir ao Legislativo Municipal para protestar contra os vereadores Dino César e Luciano Farias, por eles terem provocado as demissões. Um vereador da situação disse que desde então a Câmara se tornou um lugar de baderna promovida pelos dois edis e por causa disso há quase um mês as sessões ordinárias estão sendo encerradas sem nenhuma produtividade e com a presença da polícia, supostamente solicitada pelos próprios vereadores oposicionistas.
Foi o que aconteceu na sessão ordinária do dia 25 do mês passado. Depois de um bate-boca dos vereadores Dino César e Luciano com populares que acompanhavam a sessão do lado de fora do Legislativo, uma guarnição do Pelotão de Operações Especiais (Pelopes), supostamente solicitada pelo vereador Luciano Farias, esteve na localidade para averiguar a denúncia de que existiam pessoas armadas, ameaçando a edilidade. Os populares foram revistados e nenhuma irregularidade foi encontrada pelos policiais.
Um morador que não quis se identificar, por temer represália, disse que acha estranho o fato da guarnição do Pelopes atender à solicitação do vereador com urgência, já que no momento em que uma pessoa comum solicita a polícia, a agilidade não é a mesma e às vezes a solicitação nem chega a ser atendida. A dificuldade seria pelo fato do Grupamento de Polícia Militar (GPM) do município ter sido fechado por falta de efetivo policial e a cidade está dependendo do policiamento de Pão de Açúcar.
Ainda no caso do dia 25, os policiais teriam escoltado os dois vereadores até as residências deles, o que deixou o palestinense ainda mais indignado, principalmente pelo fato do vereador Luciano Farias, eleito pela primeira vez, ser acusado de matar com quatro tiros na cabeça o jovem Manoel Messias Simões de Couto, em julho de 2009, em um bar, localizado no povoado de Lagoa de Pedra, no município de Pão de Açúcar.
A amizade do referido vereador com o deputado estadual Inácio Loiola, irmão do desembargador Washington Luiz, presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, seria a explicação para a impunidade e a maneira ameaçadora com a qual o edil estaria se comportando.
Luciano Farias tentou prejudicar a promotora de Justiça Martha Bueno, em setembro de 2014, quando ingressou na Justiça com uma representação contra ela, por abuso de poder, perseguição política e pessoal. A acusação aconteceu, depois que um irmão do vereador, que seria jornalista, recebeu voz de prisão da promotora, ao ser flagrado gravando vídeo e áudio dela conversando com representantes de uma coligação que iria disputar as eleições suplementares do município.
A reportagem tentou falar com Dino César e Luciano Farias, via telefone, mas as ligações não foram atendidas. Em contato com a Câmara Municipal de Vereadores, a pessoa que atendeu ao telefonema informou que os edis não estavam e que não tinha um número de telefone que eles pudessem atender.









