Na sessão desta terça-feira, 7, vários deputados repercutiram o pedido de prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), solicitado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki. Os parlamentares se solidarizaram com o senador e classificaram o pedido de aberração jurídica.
Primeiro a falar sobre o assunto, Marcelo Victor disse que a solicitação não tem amparo legal, sendo tecnicamente inviável e, aproveitou o momento para fazer um paralelo entre o que acontece hoje com o presidente do Senado e o que ocorreu com ele, quando foi acusado de furtar energia elétrica, ainda em seu primeiro mandato na Casa.
“No meu primeiro mandato não fui preso porque não me acharam. Disseram que eu estava roubando energia... A mangação era absurda, passei anos sofrendo, sendo achincalhado como ladrão de energia” relatou, acrescentando que, por falta de elementos primários, o processo ao qual foi acusado não gerou sequer denúncia criminal.
Lembrando que goza das mesmas prerrogativas do presidente do Senado, segundo a Constituição Federal, Marcelo Victor disse que, ainda que tivesse roubado energia e fosse condenado por isso, não caberia prisão.
“O senador Renan, como qualquer cidadão, não pode ter colocado sob seus ombros o achincalhe da prisão. Sofremos sanções morais antes de sermos julgados”, frisou, alertando sobre os excessos: “Os que batem palmas hoje serão vítimas amanhã”.
Tortura
Em aparte, Antônio Albuquerque também prestou solidariedade a Calheiros e voltou a lembrar que já foi vítima do que classificou de abuso e irresponsabilidade, sob acusações de crimes que não ocorreram e sobre os quais não houve recebimento de denúncia.
O parlamentar comparou ainda a delação premiada às torturas praticadas durante a Santa Inquisição e na ditatura militar e aproveitou para alfinetar os antigos colegas de parlamento que, segundo ele, agiram com covardia ao concederem um título de cidadão honorário ao então superindentende da Polícia Federal em Alagoas, José Pinto de Luna, durante a Operação Taturana.
“Mas, o povo deu a resposta a Assembleia: o dito-cujo já se candidatou algumas vezes e foi repudiado pela sociedade alagoana, sempre obtendo insignificantes votações”, completou.
O presidente da ALE, Luiz Dantas (PMDB) e os deputados Francisco Tenório, Edival Gaia, Cícero Cavalcante, Cidoca também se solidarizaram publicamente com o senador.









