Paulo Dantas (MDB) foi reeleito governador de Alagoas neste domingo (30), no segundo turno das eleições. Escolhido por meio de eleição indireta para comandar o Estado em maio deste ano, essa é a primeira vez que Dantas é eleito para o cargo de chefe do Executivo por eleição direta. O vice-governador eleito é Ronaldo Lessa, de 73 anos, engenheiro civil e, até então, vice-prefeito de Maceió.
Com 100% das urnas apuradas, Paulo Dantas tinha 52,33% dos votos válidos, o equivalente a 834.278 votos. Enquanto Rodrigo Cunha tinha 47,67% (759.984 votos válidos).
"Vencemos no voto. Obrigado a todos os alagoanos que acreditaram em nosso projeto de desenvolvimento, em nossas propostas para o povo alagoano e em nossa campanha limpa. alagoas venceu, a verdade venceu, todos nós vencemos. Obrigado de coração por cada voto, alagoanos", postou o governador em seu perfil no Instagram.
A vitória de Paulo Dantas representa também a vitória de Renan Calheiros (MDB), seu padrinho político, sobre Arthur Lira (PP), que apoiava o candidato derrotado, Rodrigo Cunha (União Brasil). A eleição foi marcada por troca de acusações nas redes sociais entre os principais articuladores políticos do estado no Senado e na Câmara Federal.
Presidência
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está eleito presidente da República pela terceira vez. O petista superou o presidente Jair Bolsonaro (PL), sem possibilidade de reversão. Esta é a quinta eleição do PT para a chefia do país —sempre em segundo turno— e a primeira vez que um presidente no exercício do mandato perde a reeleição.
Lula teve numericamente a maior votação da história —às 20h30, somava 60.111.027 votos. O recorde anterior era dele mesmo, em 2006, com 58.295.042 votos. O petista acompanhou a apuração em casa e deve ir para um hotel próximo à avenida Paulista, região central de São Paulo. Bolsonaro está em Brasília e ainda não se pronunciou.
O petista é o primeiro a ser eleito presidente da República pelo voto direto três vezes —antes, venceu em 2002 e 2006. Rodrigues Alves (1902 e 1918), Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) venceram duas vezes —Getúlio Vargas foi eleito indiretamente em 1934 e pelo voto direto em 1950. Lula volta ao Planalto três anos depois de deixar a prisão em Curitiba, onde foi condenado pela Justiça após investigações da Operação Lava Jato.
A sentença, referendada em segunda instância, tirou do petista seus direitos políticos e a chance de disputar a eleição de 2018 —à época, ele liderava as pesquisas de intenção de voto. Em 2021, as decisões tomadas pelo ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) foram anuladas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) —o que abriu a possibilidade de Lula concorrer novamente.
Em 2019, Moro tornou-se ministro da Justiça de Bolsonaro. Deixou o governo no ano seguinte e acusou o presidente de interferir na Polícia Federal. Mas os dois reataram nas últimas semanas —senador eleito pelo Paraná, Moro apareceu ao lado de Bolsonaro em debates do segundo turno e, segundo a campanha, ajudou o então candidato à reeleição a se munir de informações contra o petista.
A frente que veio. O PT costurou uma coligação com nove partidos —a maior em torno do nome de Lula nas corridas ao Planalto desde 1989.
A tentativa de "união entre divergentes para vencer os antagônicos", como Lula repetiu, é um esforço petista desde o fim do ano passado, quando a aliança com Geraldo Alckmin (PSB), vice na chapa, foi consolidada e tornou-se o assunto mais importante e polêmico do período pré-eleitoral.
No segundo turno, o grupo ganhou apoios de peso, como os do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), da candidata derrotada do MDB, Simone Tebet, e de João Amoêdo (Novo).
Embora as promessas de recuperação do emprego, do salário e redução da miséria tenham permeado a campanha petista, foi o clima de união contra Bolsonaro que agregou mais apoios a Lula.
Se o elo entre tantos antigos adversários era desprezado e até debochado por bolsonaristas, politicamente, petistas veem essa mistura política como argumento fundamental em torno de Lula neste segundo turno.
Palco cheio. A união de forças divergentes foi a grande atração de um evento na PUC-SP, zona oeste de São Paulo, na última segunda-feira (24). Em ato organizado pelo grupo Prerrogativas —que reúne advogados, juristas e acadêmicos progressistas—, o então candidato subiu ao palco ao lado desta frente ampla que ia verdadeiramente da direita democrática à esquerda.
Lula segurava a mão da senadora Simone Tebet (MDB-MS), que entrou de cabeça na campanha petista. Atrás dos dois, as ex-ministras lulistas (e desafetos havia pouco tempo) Marina Silva (Rede) e Marta Suplicy (sem partido) e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles (União Brasil). O ex-senador José Aníbal (PSDB-SP) e o economista Pérsio Arida, um dos pais do Plano Real, representavam o legado tucano. Em dado momento, todos aplaudiram a declaração pública de apoio do ex-presidente José Sarney (MDB).
"Nosso governo não será um governo do PT. É importante, Gleisi [Hoffmann], você que é presidente, saiba: nós precisamos fazer um governo além do PT."










