O empresário Paulo Marinho, ex-aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disse que "já sabia que estava sendo bisbilhotado" pelo governo Bolsonaro.

Marinho teve o sigilo quebrado em 2019 pelo então chefe de inteligência da Receita Federal, Ricardo Feitosa, e atingiram, além de Marinho, o ex-procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, o e Gustavo Bebianno, ex-ministro do governo do ex-presidente. Gussem era responsável pelas investigações contra Flavio Bolsonaro por suspeita de rachadinha (desvio de verba de funcionários) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

A informação foi divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo" nesta quarta-feira (1º) e confirmada ao blog por fontes que acompanham a investigação.

Ao Estúdio i, da GloboNews, Marinho disse que soube pela gerente do banco que seus dados estavam sendo acessados por órgãos do governo em 2019 ou 2020.

 

"Quando eu disse que não foi surpresa foi porque eu tive esse episódio da minha gerente. Eu já sabia que estava sendo bisbilhotado por órgaos do governo. Acho que eles tinham desejo de encontrar algo que pudesse me constranger, me botar numa posição delicada", afirmou. Na ocasião, Marinho era pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro.

 

Ele prosseguiu: "Pegaram minha declaração [de Imposto de Renda] de praticamente 12 anos. A família Bolsonaro trata o estado como se fosse o gabinete deles".

 

Pressão

 

O corregedor da Receita Federal, João José Tafner, afirmou ter sofrido pressão para poupar um funcionário do órgão suspeito de, em meados de 2019, quebrar irregularmente os sigilos fiscais de desafetos da família Bolsonaro.

A pressão, segundo Tafner, veio de dois ex-funcionários da Receita que ocupavam cargos da cúpula do órgão durante a gestão do ex-presidente.

A conduta do então chefe da inteligência, Ricardo Feitosa, de quebrar sigilos foi alvo de uma investigação interna da Receita. Nela, Tafner sugeriu que Feitosa seja demitido. A decisão final cabe ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que deve aceitar a recomendação.
 

Em nota divulgada nesta quarta, a Receita afirma que, em 3 de janeiro, recebeu "relato de fatos e eventos que podem, em tese, configurar ilícito a ser devidamente apurado".

Segundo o órgão, o caso foi registrado em ata, que foi enviada à Corregedoria do Ministério da Fazenda.