As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, vitimando cerca de 400 mil pessoas por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Elas respondem por quase um terço de todos os óbitos no país, com maior impacto entre as populações mais vulneráveis, conforme alerta o cardiologista do Hospital do Coração Alagoano, César Morais.

 

Apesar disso, um levantamento recente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo revelou um dado preocupante: 23% dos entrevistados nunca foram a um cardiologista. Além disso, 47% não fazem consulta há mais de um ano e apenas 30% mantêm acompanhamento regular.

 

O cardiologista César Morais lembra que a pressão alta, conhecida como “assassina silenciosa”, na maioria das vezes não apresenta sintomas. Muitas pessoas só descobrem que são hipertensas durante exames de rotina ou em situações de emergência, quando as consequências já são mais graves.

 

“Muitas vezes as pessoas sentem dor de cabeça ou encontram-se em um momento de estresse. Com isso, medem a pressão e encontram valor elevado, o que muito provavelmente é uma resposta fisiológica do corpo”, alerta o especialista.

 

Segundo César Morais, quando a pessoa apresenta valores elevados de pressão em situações normais é importante marcar avaliação com um cardiologista. “Medir a pressão regularmente é uma medida simples que pode salvar vidas”, reforça.

 

Em Alagoas, o Hospital do Coração Alagoano, inaugurado em 2022, realizou mais de 135 mil atendimentos, entre consultas ambulatoriais, cirurgias, internações e exames, no último ano, consolidando-se como referência no diagnóstico, tratamento e prevenção dessas enfermidades.

Já a cardiologista Amanda Ferino fala sobre o papel do café na saúde cardíaca. “Durante muito tempo o café foi considerado um vilão do coração, entretanto, estudos recentes apontam uma correlação com redução de diabetes, de hipertensão, de insuficiência cardíaca e também de arritmias”, salienta. 

De acordo com Amanda, o café não filtrado esteve relacionado com o aumento do colesterol ruim, mas no geral o café é protetor do coração. Ela recomenda a moderação e acompanhamento médico individualizado.

O médico Felipe Fraga esclarece que a dor da angina — causada por obstrução nas artérias do coração — não se limita ao braço esquerdo, como muitos imaginam. “A inervação do coração pode causar dor referida da região umbilical até a região cervical, podendo irradiar para ambos os membros”.

Essa variação pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento, “por isso todo desconforto persistente na região torácica com essas características deve ser investigado, a busca por uma unidade de saúde deve ser imediata porque pode ser um infarto”, alertou.

Por fim, a cardiologista Mariana Albuquerque chama atenção para a síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo. O quadro, desencadeado por estresse emocional intenso, provoca sintomas muito parecidos com os de um infarto, como dor no peito e falta de ar, e requer atendimento imediato. “Emoções muito fortes, como a perda de um ente querido, ou emoções muito intensas podem afetar o coração. A síndrome é muito comum principalmente no sexo feminino”, especificou a cardiologista.

De acordo com Mariana, os sintomas podem imitar um infarto, como uma dor torácica, falta de ar, palpitações, desmaio. “É importante observar a apresentação dos sintomas e associar o momento vivido. O cardiologista deve ser procurado para um diagnóstico preciso.  Apesar de geralmente reversível, pode deixar sequelas se não for tratado adequadamente”, referiu a especialista.

Essas orientações reforçam que o cuidado com o coração começa antes dos sintomas. A prevenção, aliada à informação de qualidade e à atuação de profissionais especializados, é o caminho mais seguro para manter o órgão que nos mantém vivos funcionando em pleno ritmo.